A ARTE NO RIDÍCULO

Blog parado há um tempo, correria total, parece clichê de blogueiro, mas é a pura verdade. Vamos então atualizar.

Assisti semana passada o documentário dos Doutores da Alegria e me emocionei muito. Recomendo a educadores, profissionais da saúde, enfim, recomendo a todos que desejam ampliar sua visão de mundo.

Vivemos sempre em uma pressão constante de toda parte, mostrando o que é certo e não fazermos, nos ensinando que só os vencedores têm vez, a sobressairmos em tudo, uma busca constante em ser superior, e essa visão individualista distorce quem somos efetivamente, nos distanciando da essência humana e do sentido da vida.

Aprendemos (ou nos convencemos) sempre a esconder nossas dificuldades e diferenças para não nos expormos ao ridículo. Mas o ridículo nada mais é do que uma inadequação do que você quer ser, para aquilo que você realmente é.

O filme mostra que o clown precisa resgatar a inocência de uma criança. “A criança é livre de preconceito, não é prisioneira nem da lógica nem da razão, para ela não existe o ridículo, ela vive o presente.” Nós adultos, que rotulamos, fazemos juízos, criamos divisões e dissensões.

Acredito que todo indivíduo precisa realizar esse resgate do eu, da criança e do palhaço que existe em seu interior, para viver de forma integral. Entrar em contato com nossas coisas profundas, com nosso ridículo, e perceber que as fragilidades podem ser uma força se soubermos como aproveitá-las.

A beleza humana fica na singularidade, nessa oscilação de facilidades e dificuldades, na sinceridade e transparência em aceitar que erramos, é quando mostramos que somos demasiadamente humanos.

A criança olha de maneira incondicional o outro, seu olhar é original e vivo, enxerga além de aparências. A realidade existe e é dura, mas podemos transformá-la e reinventá-la através do olhar.

É preciso ter amor pelo que faz, tratar o próximo como se fosse a pessoa mais importante da festa. Sou professora, e em meu campo de atuação profissional existem muitas competências a serem atingidas com os alunos, o que acaba, por vezes, deixando de lado a dialogicidade básica da interação humana, como cita Paulo Freire. Mas não se pode permitir que essas exigências passem por cima da relação com o outro.

Sempre tive medo de palhaço, na infância tinha pânico. Mas os Doutores da Alegria fizeram-me ver a arte clown de outra maneira.

Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. ( Mateus 18.4)

PS. Já gostava do trabalho do ator Marcio Ballas, depois de assistir o vídeo minha admiração em relação a ele só aumentou.


Para Contribuir:

 

Porque a vida é breve, trarei na aljava a delicadeza das rosas, o baile dos colibris, a folia dos golfinhos, a calma do jabuti, a imponência dos carvalhos, o renascer das marés, para dizer, diante da crueldade da história, "sou feliz". (Ricardo Gondim)




Escrito por Munique às 19h41
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VERDADE QUE LIBERTA

Durante muito tempo tive uma visão limitada sobre o que é a fé e o que é crer em Deus. Sempre cumpri dogmas, mas sem questionar o porquê deles e se realmente tinham alguma base bíblica.

Hoje vejo que coisas em que sempre acreditei eram meramente regras instituídas por homens, que ficam presos mais a lei do que a graça divina, que chegam assumir a postura de “deus”, julgando, condenando e punindo. Serei no mínimo hipócrita e ingrata se dizer que esse tempo foi perdido, pois muito da minha formação, muito da pessoa em quem me tornei devo aos ensinamentos que tive.

Mas há um momento que é preciso amadurecer, abandonar o legalismo para sentir quem realmente é esse ser superior a quem chamamos de Deus.

Prefiro crer em um Deus simples, que não é ditador, não é uma religião,  sem rótulos, mas que é um Pai que me ama. Quero acreditar em um Deus como Rubem Alves descreve:

 

Pois isso a que nos referimos pelo nome de Deus é assim mesmo: um grande, enorme Vazio, que contém toda a Beleza do universo. Se o vaso não fosse vazio, nele não se plantariam as flores. Se o copo não fosse vazio, com ele não se beberia água. Se a boca não fosse vazia, com ela não se comeria o fruto. Se o útero não fosse vazio, nele não cresceria a vida. Se o céu não fosse vazio, nele não voariam os pássaros, nem as nuvens, nem as pipas...
E assim, me atrevendo a usar a ontologia de Riobaldo, eu posso dizer que Deus tem de existir. Tem Beleza demais no universo, e Beleza não pode ser perdida. E Deus é esse Vazio sem fim, gamela infinita, que pelo universo vai colhendo e ajuntando toda a Beleza que há, garantindo que nada se perderá, dizendo que tudo o que se amou e se perdeu haverá de voltar, se repetirá de novo. Deus existe para tranquilizar a saudade.

 

(Vídeo Flavio Siqueira)



Escrito por Munique às 19h03
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Politicamente Incorreto

"Sou chato e sem graça. Mesmo assim, às vezes, dá pra se sair melhor que muito palhaço por aí. Talvez seja porque os comediantes felizes não tem a menor graça. Os bons mesmo são os descontentes e atormentados, para quem a comédia é um meio de reorganizar a insignificância, a crueldade e a tolice desse mundo.

Não vou mentir pra você. Sou pobre, não faço academia e até o momento fracassei. Nesse mundo de aparências sou Politicamente Incorreto.

Não fumo, não bebo e não uso drogas. Nesse mundo de inversões de valores sou considerado Politicamente Incorreto.

Não omito o que penso ou o que acho. Nesse mundo de médias e mentiras sou Politicamente Incorreto.

Tudo que tenho é o meu pensamento. Nesse mundo, onde uma bunda vale mais do que mil cérebros, sou Politicamente Incorreto.

Dificilmente farei algo para que você pense que sou quem você gostaria que eu fosse. Nesse mundo, onde cada um quer ser Politicamente Correto dentro de sua tribo, sou Politicamente Incorreto, pois nem tribo eu tenho."

 Danilo Gentili

 

Adoro esse texto do Danilo, me identifico muito com algumas partes dele.



Escrito por Munique às 23h09
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NÃO REELEJA NINGUÉM

Diante de tanta patifaria dentro da política, fica cada vez mais difícil optar por qual candidato votar.  Os políticos em geral fazem o que bem entendem e não têm o mínimo de consideração com o povo.

É só ler um pouco de jornal que é possível notar o descaso da categoria.  Pintam e bordam com o que é público, sem o mínimo pudor, caçoam diariamente do brasileiro, do cidadão que trabalhou o ano todo e confiou seu voto neles na promessa de um país melhor.

Quando é descoberto algum escândalo, ao invés de assumirem seus atos, continuam irredutíveis tentando encontrar formas de provar que o que foi cometido é lícito. O caso das passagens aéreas é um exemplo, depois de usarem as cotas para passear com namoradas e afins, boa parte dos políticos continuaram insistindo no discurso que não havia ilegalidade alguma se beneficiar com as passagens, afinal sempre foi assim no congresso, acusando ainda a imprensa de sensacionalista.

Estou cansada de toda essa imundice. Não preciso optar entre o sujo e o mal-lavado. Se os candidatos disponíveis não agradam, é um direito expressar meu descontentamento votando nulo.

 

Ainda não sei se o voto nulo é tão eficaz, já tiveram muitos boatos sobre o voto nulo anular a eleição, infelizmente é apenas uma interpretação errada da lei, mas acredito ser uma maneira de protestar e mostrar que não sou conivente com a imoralidade, não compactuo com a corja corrupta.

 

Abaixo banner da campanha que está circulando na internet:



Escrito por Munique às 01h41
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Enquanto isso em Brasília....

 

Enquanto o Brasil se preocupa com o final do BBB, em Brasília estão deitando e rolando com o que é nosso. Depois dos episódios da funcionária-fantasma de Renan Calheiros e a funcionária de Alberto Fraga, novas irregularidades voltam a assombrar. Dessa vez o deputado federal Arnaldo Jardim, da Frente Parlamentar Anticorrupção (pasmem, rsrs), pagava há mais de dois anos e meio como secretária parlamentar sua empregada doméstica com o dinheiro da Câmara.

Como sempre quem é prejudicado é o lado mais fraco, o desfecho da história já é de se imaginar. Com outros casos descobertos, acabou sobrando para a empregada. Jardim a demitiu em uma tentativa de abafar o fato perante a imprensa, porém foi tarde pois a notícia já tinha se  propagado. Com o cinismo exarcebado, o deputado declarou que não via problema algum do ponto de vista ético. É claro que como em todo caso político, não terá conseqüência alguma para Jardim, mas como diria a Senadora Biônica do Terça Insana, daqui a pouco ninguém lembra mesmo, então não tem Importância '¬¬ .  

 

Falando em congresso, além da corrupção e desonestidade que o ronda, seria cômico se não fosse trágico ver a falta de preparo dos políticos brasileiros. Para quem não assistiu, vale a pena ver os vídeos abaixo do “Controle de Qualidade”, novo quadro do CQC 2009. Parabéns ao programa pelo foco político cada vez mais forte.

 

 

 

O mais embaraçoso é saber que fomos nós que os colocamos no poder.

 



Escrito por Munique às 22h09
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Crise Mundial - NETO ( diretor de criação e sócio da Bullet)

Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?

É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas..
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.

Os slides se sucedem.

Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.

Durante décadas, vimos essas imagens.

No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto. Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados. São imagens de miséria que comovem. São imagens que criam plataformas de governo.

Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.

Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.

Resolver?
Extinguir.

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.

Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.

Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores.

Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.

Se quiser, repasse, se não, o que importa?

O nosso almoço tá garantido mesmo...

 

 



Escrito por Munique às 22h13
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Liberte-se do BBB

Já faz um tempinho que começou na rede globo novamente esse reality show mais que saturado, que, para minha infelicidade, sempre colocam bem na época das férias. Já comentei no blog alguma coisa a respeito, mas hoje pretendo aprofundar.

Quem se submete a participar desse tipo de programa normalmente não tem nenhum tipo de talento, são pessoas fúteis e superficiais, que não medem esforços para alcançar a fama (mas a fama deveria ser conseqüência de um bom trabalho, ou um objetivo?). Como não possuem grandes habilidades artísticas, aproveitam o momento para fazer os papeizinhos previamente estabelecidos, intrigas, panelinhas, namoros, sempre a mesma coisa toda edição ¬¬.

O “sucesso” de quem participa deste programa é instantâneo, chega rápido graças a programas tão bons quanto o Big Brother, como Sônia Abrão, e acaba mais rápido ainda. E os BBBs sabem disso, então tentam aparecer um mais que outro, quanta mais apelação melhor. Saindo da casa é hora de segurar os poucos minutos que restam na mídia, então tem o ensaio para playboy ali, envolvimento em polêmicas acolá, para ver se rende uma matéria no TV Fama.

Tudo é muito ridículo, mas até aí não fico tão chocada, já que na sociedade em que vivemos faz-se tudo por dinheiro e para sobressair-se. O que mais me deixa inconformada é a audiência de todas as edições.

Como um cidadão, em sã consciência, que chega cansado do trabalho, tem paciência de perder seu precioso tempo assistindo problemas que não são dele, fofocas e picuinhas de pessoas que não conhece.

Já ouvi comentários que o programa é interessante por ser pessoas comuns, vivendo o cotidiano, a realidade. Eu me pergunto: Realidade de quem? Quero saber quem passa o dia malhando, na piscina, na rede, namorando, baladinha à noite, sem precisar trabalhar, estudar?

Pior ainda é assinar na TV a Cabo para acompanhar 24 horas por dia da casa (Pay-Per-View), acho que uma pessoa que faz isso não tem vida própria, não vejo outra teoria.

Os brasileiros não têm a iniciativa de se unirem para lutar por um ideal, mas têm a disposição de se mobilizarem para expulsar alguém em um paredão. 

Agora me responda, por favor: O que vai acrescentar em sua vida acompanhar esse tipo de programação? Adquirirá Cultura, conhecimento?

Provavelmente sua resposta é não. O indivíduo assiste sem saber o porquê, mas tenho certeza de que quem colocou o programa no ar tem seus objetivos bem definidos.

 

Para quê ter programas de qualidade, que enriquecerão a população de cultura?

Não é viável um povo que saiba pensar, que tenha consciência política, que saiba lutar pelo seus direitos. É muito mais conveniente um povo burro, que reclama, mas não tem iniciativa, é muito mais interessante para a classe dominante que a massa seja distraída com entretenimento qualquer, para que, enquanto isso, possam se apoderar do dinheiro público, aumentar impostos, abafar polêmicas do congresso, eleger José Sarney como presidente do senado, etc.

A Globo manipula o Brasil, o que me impressiona é ver que as pessoas não enxergam isso. BBB só presta para perpetuar estereótipos, promover a vulgaridade em detrimento do conhecimento.

 

 

UM APELO:

 

VAMOS TER BOM SENSO E BOICOTAR PROGRAMAS INÚTEIS COMO B.B.B.

 

 

Obrigada!

 

 



Escrito por Munique às 22h39
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Aos Meus Amigos!

Oi pessoal!

Encontrei esta linda poesia na internet, quero compartilhar com quem aqui lê. Espero que gostem, eu achei linda.

 

 

Fabrício Carpinejar - Preito aos meus amigos.


O amigo é aquele que tem todos os motivos para desistir de você e não desiste. Você fez por merecer a separação. Exagerou. Afastou o abraço, gritou que ele não o compreende. Mas o amigo entende até na incompreensão. Aguarda entender.

Eu preciso de um amigo que não me renuncie quando já desisti. Que me lembre de não desistir. Que seja insistente como o esquecimento dos velhos. Que desperte o meu humor no desespero, que se desespere com a ausência de notícias.

Um amigo que não numere as páginas do livro. Toda página pode ser a mesma. Um amigo que sopre meu rosto perto de sua boca, como uma gaita de mão. Um amigo capaz de esconder seu amor para proteger a amizade e de me aconselhar a seguir o que ele tinha vontade.

Um amigo que desconheça minha infância para repeti-la, que conheça minhas dores para não tocá-las, que assobie minha alegria para alardeá-la. Que não me torture com os meus defeitos. Que me perdoe por não ser como ele. Aliás, que me agradeça por não ser igual a ele.

Um amigo que não use meus segredos para ganhar outros amigos. Um amigo que abra o vidro do carro para apanhar o resto do céu. Que cante alto no volante no momento em que ansiava pelo silêncio e me obrigue a dispensar a timidez para desafinar junto. Na estrada, o vento também canta de olhos fechados.

Um amigo com cheiro de cortina. Isso: cheiro de cortina, com a experiência de enrolar várias e várias vezes o corpo na cortina. E que tenha recebido beijos dos pais com o tecido arregalado no rosto. Quem se escondeu na cortina deu giros dentro de si e de seus problemas e aprendeu a regressar.

O amigo do primeiro desejo, não do último. O amigo que não me espera no recreio, o amigo que me espera no final da aula. O amigo que é a haste do mar, que não fica de pé no barco, para não desequilibrá-lo.

Não quero um amigo que fuja na primeira ofensa, que se isole ofendido num canto, amarrado no orgulho, condicionado às palavras. Um amigo que não fale por mim, que fale através de mim. Não quero um amigo que me ofenda porque não atendi suas expectativas.

Amigo não tem expectativa, tem esperança. O amigo vai procurá-lo não sendo necessário. Vai aumentá-lo enquanto está diminuído e vai diminuí-lo para preveni-lo da ambição.

O amigo é do contra ao seu lado. O amigo dirá as verdades por respeito, não se eximirá de opinar, tudo com zelo e contenção. Não abandonará a corda da pandorga ainda que ela sirva de fio telefônico para chuva.

Tive amigos que se fecharam, desapareceram, que me trocaram por uma fofoca, que chegaram à porta e recuaram ao portão. Esses amigos não foram amigos, se é amigo só depois da amizade. Depois de sofrer com a amizade. O amigo é como um irmão, que se briga feio, se discute aos pontapés e palavrões e volta a se falar. Volta a se falar porque é irmão.

O amigo sempre volta. Pensando bem, não volta, nunca saiu do lugar. Ele é a rua que atravesso para chegar em casa.

 



Escrito por Munique às 14h33
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ATÉ QUANDO?

Não conhecia muito as músicas do Gabriel O Pensador, até que em um trabalho da faculdade ouvi "ESTUDO ERRADO" e comecei prestar mais atenção e perceber como ele é bom no que faz. Outro dia posto esta música aqui, não colocarei hoje pois merece um tópico a parte. Mas fuçando na net, ouvi uma outra música que não conhecia chamada "ATÉ QUANDO?". Nossa, mais uma vez subiu meu conceito em relação a esse cara! A mensagem da letra é clara, porém fala de questões bem complexas, que se analisarmos uma a uma, ficaremos aqui viajando horas e horas.

Quando a escutei lembrei na hora de um personagem da Terça Insana, peça que assisti há umas semanas atrás e recomendo, como o próprio grupo coloca é um espetáculo em que o cérebro ri primeiro que a boca. Zildo (de Guilherme Uzeda) é o nome do personagem que me encantou, divertidíssimo, típico conformado cidadão brasileiro, que inicia sua fala contando que é pobre, na verdade pobre modéstia da sua parte, é podre de pobre, Graças a Deus (hehe)! É também azarado e feio, "Graças a Deus!", bordão que usa no decorrer da apresentação, reforçando a visão conformista que tem da sua vida, rindo sempre da própria tragédia.

O brasileiro tem essa cultura do conformismo instaurada, de ser acomodado, sem sequer questionar. Não se pode culpar o indivíduo por pensar dessa forma, pois essa visão limitada é algo puramente histórico e cultural. Somos condicionados desde cedo a nos moldarmos e aceitarmos tudo que nos é imposto, cumprimos ordens sem saber de onde vieram. Freqüentamos a escola para sermos preparados para a vida, ou para se adequar a ela? Adam Smith, pai do capitalismo, já falava que não é indicado o povo ser totalmente imbecilizado, afinal povo assim não consome, para não ser tão sem instrução é importante educar a massa, mas em "doses homeopáticas", não uma educação que forma cidadãos críticos, mas sim uma educação disciplinadora e de controle, para promover o comportamento desejável, "que eu seja educado, que eu seja arrumado, que eu saiba falar", sem interferir na estabilidade da classe dominante. Acredito que Smith se surpreenderia em saber como fizeram o trabalho tão bem feito, se antes a escola era o aparelho ideológico do Estado, agora, com a tecnologia, tem a televisão, as revistas, para ajudar a padronizar toda a galera.

Há aquele que acha que nunca mudará, e aquele que espera cair do céu uma benção divina. Esse outro tipo é pior ainda, pois ficam de braço cruzado, só pedindo e, quando não alcançam, culpam Deus por não ouvir suas súplicas. Sou cristã, e uma coisa que aprendi é que Deus não fará por você o que você mesmo pode fazer. Não adianta pedir para ser uma pessoa bem sucedida, se você não se esforça, não estuda, se não correr atrás de seus objetivos, não lutar por eles, ninguém pode fazer nada por você, não vi Jesus entregar o peixe a ninguém, pelo contrário ensinou a pescar.

Será que vale a pena ser tão desencantado com o mundo? Como dizia Paulo Freire, somos condicionados sim, mas não determinados, se temos consciência desse condicionamento, podemos ir além e acreditar que a mudança é possível.

 Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente

A gente muda o mundo na mudança da mente

E quando a mente muda a gente anda pra frente

E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura

Na mudança de postura a gente fica mais seguro

Na mudança do presente a gente molda o futuro

 

E AÍ, ATÉ QUANDO VOCÊ VAI FICAR SEM FAZER NADA?

 

 

 Até Quando?

Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Não quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante, é tudo flagrante

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco

A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro



Escrito por Munique às 21h37
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EU SEI, MAS NÃO DEVIA

 

Olá pessoal!

 

Sei que mal comecei a escrever esse blog e já está meio abandonado . Ando sem tempo para escrever e sem criatividade também. Para não ficar desatualizado, estou postando um texto muito interessante, de autoria de Marina Colasanti, gostaria de compartilhá-lo com quem aqui lê:

 

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.



Escrito por Munique às 13h50
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Na contramão do Mundo

Será minha impressão, ou a humanidade está caminhando em sentido contrário?

  

Vivemos em um tempo de banalização geral, em que os valores estão trocados. Tudo vale em nome da sua satisfação pessoal, nem que para isso você precise pisar e invadir o espaço do outro, pois o que realmente vale é chegar onde sempre quis.

O sistema dominante transmite o que quer promover, e a massa imbecilizada acata sem qualquer pudor.

Quando aparece alguma notícia bombástica em relação ao governo, somos distraídos com um reality show qualquer, ou com a fofoca da vida do artista, com o futebol, com a novela, ou com o repórter sensacionalista que tira proveito da tragédia alheia, com seus helicópteros sobrevoando a cidade, mais parecem com urubus em busca da carniça. Afinal, para quê saber sobre o destino do etanol, se terá paredão no BBB?

Fomos tão persuadidos, que o que impera na cultura hoje é o corpo, o sexo, o lucro e o individualismo. As pessoas estão alienadas nessas idéias fúteis, que não sabem sequer argumentar, se está na moda, se todo mundo faz assim, porquê eu agiria diferente. Infelizmente é assim, esse paradigma se instalou, a pessoa age assim, nem sabe o motivo.

 

Recebi um e-mail interessante há um tempinho atrás de como nasce um paradigma:

 

"Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.

Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram.

Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.

Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato.

Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato.

Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
“Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
Não perca a oportunidade de vez em quando, se questionem porque fazem algumas coisas sem pensar..."

 

 

Chega de ter uma mente tão medíocre, pense por si mesmo, nem que para isso você tenha que andar na CONTRAMÃO DO MUNDO.

 

Munique
 



Escrito por Munique às 20h01
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É tempo de ter opinião para poder ser formador de opinião

Ouvi uma pregação há duas semanas do sábio Pr. Felipe do Bola de Neve Santo André sobre não vivermos acomodados com a vida, mas sim sermos formadores de opinião. Desde então não consegui parar de pensar sobre o assunto, surgindo vários questionamentos.

Afinal de contas, o que tenho feito para formar opiniões? Será que estou tentando fazer algo de impacto, ou estou vivendo na mesmice?  Como posso ser uma formadora de opinião?

Refletindo sobre essa problemática, percebi que primeiramente não posso ser formadora de opinião, se eu não tenho uma opinião formada.

A gente vê tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, são nossos compromissos do dia-a-dia, a imensidão de notícias dos meios de comunicação, tanta informação é jogada na nossa cabeça ao mesmo tempo, que muitas vezes não temos tempo de refletir e ter um posicionamento sobre a situação e acabamos optando pelo senso comum, que com certeza é bem mais cômodo.

Mas se eu quero fazer diferença, preciso ter uma postura crítica a respeito da vida, analisar a situação não passivamente, mas ativamente, para poder entender as entrelinhas, e assim ter uma opinião.

A expressão ação-reflexão-ação tão ouvida no meu curso de pedagogia, jogada em tantas provas dissertativas para enfeitar meus textos, rsrs, expõe bem isto. Para conseguir fazer algo válido, é preciso ter um ciclo vicioso de agir, refletir sobre o que temos feito ou pensado, para a partir daí poder agir novamente, com os conceitos que assimilamos nesse processo de reflexão.

Ok, percebemos a importância de termos uma opinião, mas caímos então no questionamento central: Como ser uma formadora de opinião?

Eu sempre fui muito de pensar, porém no geral guardo para mim o que eu penso, do tipo reservada, prefiro ficar quieta a sair por aí comentado as coisas.

Porém é aí que venho pensando nessas últimas semanas, o que adianta eu ter uma opinião se não a conto para as pessoas? Aí vejo que é hora de sair da redoma de vidro que criei e começar a ser mais produtiva, parar de me acomodar e fazer algo útil.

Estou em um momento de transição, colocando ordem na casa, estabelecendo quais são minhas prioridades na vida, entre elas que preciso opinar mais.

 

Criei agora esse blog, sei que é uma coisa aparentemente inútil, rsrs, mas acho que é uma das maneiras que poderei compartilhar minhas idéias com as pessoas.

 

 

Munique

 

 



Escrito por Munique às 20h37
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Sei que não sou nenhuma escritora, filósofa, ou socióloga, nem que tenho a arte de dissertar, mas me arrisco aqui a compartilhar meus textos, tecendo aqui minhas opiniões, gostos e pensamentos acerca da vida e da sociedade atual.

 

 

Seja bem vindo ao meu blog!

 



Escrito por Munique às 23h32
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